Ciclovia Maré – Fundão

Foi anunciada a construção de uma rede de ciclovias e ciclofaixas na Maré. A medida leva em conta a alta utilização das bicicletas pelos moradores, por questões de pouca opção de transporte e baixa acessibilidade e deve também melhorar a mobilidade para deslocamentos a pé. Atualmente, a caminhada do Fundão à Avenida Brasil é mais rápida que o trânsito do horário de pico, mas a falta de calçadas e a presença de acessos ao longo deste caminho pela Linha Amarela impede que ele seja usado para deslocamentos a pé.

ciclovia-mareInfelizmente, olhando o mapa acima, não há ainda essa possibilidade de ligar diretamente o Fundão à Avenida Brasil pela Linha Amarela, mas teria como seguir por um caminho um pouco mais longo (uma pena que esse caminho tenha levado um motorista tentando fazer retorno à morte). Alguns caminhos, como o roxo, cruzando a Avenida Brasil, deve ser interrompido pela passarela.

A maioria das vias é “faixa compartilhada”, o que me faz esperar que sejam como as faixas da Ilha, que ninguém respeita. Mas, como o próprio prefeito disse, é um gesto mais simbólico, só para lembrar que o ciclista e existe, pintando o chão. Lembrando que, por lei, o ciclista não deve se limitar a ciclofaixas e ciclovias, na ausência delas, sempre tem o direito de usar uma das faixas de rolagem ou o acostamento, exceto em vias expressas. Fica, então, a dúvida de por que o custo de 7 milhões de reais. Considerando que a maioria são faixas compartilhadas e só devem consumir um pouco de tinta para colocar avisos no chão, as poucas restantes são reformas de calçadas. E, conhecendo as maravilhosas ciclovias do prefeito, não dá pra esperar grandes coisas, a ver pela ciclovia da Avenida Ayrton Senna, um punhado de sobes e desces, com acabamento medíocre e sem estrutura nenhuma para o uso em massa (é mais seguro ir pela rua, onde o motorista saindo da garagem vai olhar duas vezes do que indo pela ciclovia, onde ele vai te ignorar).

Obras na saída do Fundão

Obras na saída do Fundão

Particularmente, sou contra a construção de ciclovias, parece que mais limitam do que estimulam, até porque sempre são feitas na calçada, o que acaba sendo pintar a calçada de vermelho e empurrar o conflito ciclista x automóvel para ciclista x pedestre. Seria mais estimulante se fossem feitas ciclofaixas na borda das pistas para lembrar que o lado direito pode, sim, ser utilizado pelo ciclista e que ultrapassagem é feita mudando de faixa. Mas, as ciclovias tem seu lado positivo, mantém a calçada mais nivelada, trazendo como benefícios uma melhor mobilidade para cadeirantes, e incentivam a prática de atividades físicas: em ciclovias, mesmo as pequenas, é comum ver pessoas praticando caminhada e corrida.

Outro ponto de grande concentração de ciclistas e que poderia ter a atençao da prefeitura no futuro é a Avenida Isabel Domingues, na Gardênia Azul, onde um enorme bicicletário é muito utilizado pela população do local, sempre cheio e, infelizmente, com manutenção ruim. A famosa Passarela da Gardênia serve de transbordo entre a bicicleta e o ônibus para muita gente, já que o bairro tem muitas ruas transversais e só a principal, que é perimetral ao bairro, tem linhas de ônibus. Na Avenida Isabel Domingues, em si, só tem linha de van e elas não chegam ao encontro com a Avenida Ayrton Senna (bem que o 932A poderia ir até lá, ia ajudar bastante para quem volta da Passarela e do Barra Music). Lá, não é necessário nenhum estímulo à bicicleta porque ela já é o meio mais adequado de locomoção, só é preciso dar suporte a esse modal econômico para a população e para a prefeitura.

A notícia também foi divulgada no site da Prefeitura e no Diário Oficial, onde promete ligar a Maré até mesmo ao Centro.

cicloviaReportagem completa do Globo:

A prefeitura inaugurou nesta quarta-feira as obras da ciclovia da Maré. A nova rota, que deve ser inaugurada em 2016, vai ligar a comunidade às estações do BRT TransBrasil, ainda em construção, e TransCarioca, além do Fundão. Ao todo, serão 22 quilômetros de ciclofaixa e faixa compartilhada que terá o custo estimado de R$ 7 milhões, como adiantou o jornalista Ancelmo Gois. Durante o evento de inauguração, o prefeito Eduardo Paes afirmou que a ciclovia na verdade é simbólica, pois já existe uma população local que usa o transporte diariamente.

– A ciclovia é simbólica, só existia para burguês da Zona Sul ter o seu lazer. Estamos invertendo essa lógica, dando ciclovia para o trabalhador. Não estamos simplesmente estimulando o uso de bicicletas, pois já existe uma população grande na Maré que usa bicicletas sem o apoio do poder público – disse o prefeito.

A ideia de fazer uma ciclovia no Complexo da Maré partiu dos próprios moradores. Quando a prefeitura resolveu atender aos pedidos das associações de moradores, começaram discussões que duraram cerca de um ano. Foi através dessas conversas que foram definidos o traçado da ciclovia e os pontos para instalação de 2 mil vagas em bicicletários.

PRIMEIRA CICLOVIA EM FAVELA

Para o subsecretário de Meio Ambiente, Altamirando Moraes, a implantação da ciclovia na comunidade alcança dois objetivos: internamente ajuda a ordenar o trânsito e o uso de bicicletas. Além disso, ela vai ajudar os moradores a saírem da comunidade, conectando o Complexo da Maré aos BRTs, Bonsucesso (onde há uma estação de trem) e Fundão.

– Quando buscam um centro comercial, grande parte (dos moradores da Maré) busca Bonsucesso. Além disso, cerca de 25% da população do Complexo trabalha no Fundão, em serviços de limpeza e construção civil – afirmou o subsecretário.

Ainda segundo Altamirando, a escolha do Complexo da Maré para ser a primeira favela da cidade com plano de mobilidade por bicicleta foi motivada pela geografia local:

– As pessoas que mais usam bike são de comunidades. Em favelas mais verticais as bicicletas ficam na base do morro. Já a Maré é plana: terreno ideal para uma ciclovia.

O Rio é a cidade com a maior rede de ciclovias da América Latina, com 380km. A prefeitura já prometeu chegar aos 450km de malha cicloviária até 2016.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/mare-tera-ciclovia-que-ligara-comunidade-aos-brts-transbrasil-transcarioca-15563319#ixzz3UVUocApi
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Ibagem

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