Transcarioca – Relato 1

Seguindo a série de posts de Relatos do BRT, hoje, vou escrever sobre minha experiência na linha Semidireto, saindo da Alvorada até o Galeão. Já tinha usado o Transcarioca duas vezes antes, para viagens curtas (Alvorada x Merck e Madureira x Taquara) e, em ambas, fui sentado e sem muita demora. Mas, na minha experiência com a viagem de Madureira, notei que a passarela do trem só atravessa a linha do trem, não foi feita uma extensão dela para evitar ter que esperar o longo sinal de trânsito da esquina das ruas Padre Manso e João Vicente. Na viagem da Alvorada à Merck, notei que o BRT pega engarrafamento na Estrada Pedro Correia, devido ao cruzamento e que o sinal do cruzamento da mesma com a Estrada dos Bandeirantes é bem demorado.

Hoje, na viagem até o Galeão, pude notar que as informações das plataformas de embarque estão boas, porém, a mobilidade no terminal de BRT está ruim, por conta de uma divisória entre as plataformas do Galeão e do Pingo d’Água. O ônibus, naturalmente, demorou, mas isso eu já esperava, pelo intervalo de 20 minutos. Enquanto esperei, por duas vezes, encostou um ônibus com vista de Recreio Parador, um deles chegou a ser orientado por funcionários do BRT a dar outra volta. Aparentemente, já está faltando espaço para o BRT no terminal, ou os motoristas da linha do Recreio não estão sendo bem orientados.

Embarquei às 11:50 com ar condicionado bem gelado e ônibus vazio. Funcionários do BRT percorreram o ônibus avisando que ele só pararia em Vicente de Carvalho e no Galeão, o que achei uma boa atitude. A viagem foi bem até a Estrada Coronel Pedro Correia. Percebi que o ônibus teve de parar em três semáforos consecutivos na esquina da Pedro Correia com a Bandeirantes. Ao passar pela estação da Taquara (uma das três que eu acho que essa linha direto poderia parar, as outras são Fundão e Madureira), pude ver que a fila da bilheteria estava enorme, a ponto de subir a passarela. A partir da Taquara, muitos pedestres na pista, um chegou a sair da frente rindo, não percebendo que correu risco de morrer… Fizeram proteção com grade, mas em boa parte do trajeto, a grade já está arrombada e a passagem fora da faixa se torna mais convidativa.

A chegada em Madureira foi às 12:50, sem parar em nenhuma estação. Considerando que, nas duas viagens anteriores, foram uns 30 minutos cada, o que daria 1 hora no serviço expresso (parando em determinadas estações, mas não todas), o Direto não ganhou vantagem alguma.

A voz que anuncia as estações é bem irritante e fala demais. Na verdade, não vejo necessidade de falar em inglês e, vou insistir nisso, deveria ter um indicador de estações na parte interna dos ônibus, como no metrô. Os ônibus tem sistema de GPS, será que é tão difícil para quem planeja isso enxergar que podia deixar um mapinha com a posição atual do ônibus e as estações na TV? Nem que alternasse entre a programação patrocinada de horóscopo e resumo das novelas que passa normalmente, mas que existisse pelo menos. E, voltando à voz, poderia ser mais suave, mais humana. A própria “porta fechando” parece muito mais adequada que a voz das estações. Em Vicente de Carvalho, anuncia linhas alimentadoras, mas não tem nenhuma linha alimentadora ainda.

Voz da Transcarioca chata demais

Em algumas estações após Vaz Lobo, dá para ver por fora que ainda estão em obras, provavelmente de acabamento, no lado de dentro. Mas o caso mais gritante é da estação Olaria, que está sendo ampliada para ser estação Expresso e, por causa dessa obra, a pista no sentido Galeão está interditada e o ônibus teve que pegar a contramão do BRT. Durante toda a extensão paralela à linha do trem, não houve a preocupação de se fazer passarelas direto para o BRT ou para o outro lado da calçada, e oresultado é a chuva de semáforos e calçadas estreitas, além da perda de tempo, para o passageiro, quando essas estações estiverem abertas. Para cruzar Ramos, levou um tempo muito grande.

Estação de Olaria da Transcarioca, exemplo de planejamento.

No Fundão, paramos nos dois semáforos da Avenida Brigadeiro Trompovsky, o da altura do Hospital e o do Terminal, e lamentavelmente, o ônibus não pode desembarcar no Fundão, somente no Galeão, dificultando a vida até mesmo de quem está indo para a Ilha, já que, no Fundão, há muito mais opções de ônibus que no Galeão. Já próximo ao Aeroporto, há um retorno (naturalmente, com semáforo) que achei muito mal sinalizado, existe um sinal para o BRT, mas não tem para o retorno, e o motorista de um automóvel fez o retorno e levou muitas buzinadas furiosas do motorista do ônibus. Acredito que esse retorno precise de uma sinalização melhor. Ao chegar ao Galeão, um aeroporto internacional, não havia nenhuma informação sobre onde ficavam as linhas convencionais. Depois de me deparar com somente uma linha de ônibus “frescão”, mas sabendo que havia linhas convencionais (eu ainda estava em dúvida se as linhas convencionais só passariam no outro terminal, eu desci no Terminal 1), decidi caminhar para analisar o território e quase parei no meio da estrada, foi quando percebi que os ônibus convencionais ficavam no segundo andar do aeroporto (ou terceiro, se o andar do BRT for o subsolo). Se eu, morador da cidade, não consegui me achar, imagina um turista. Então, minha aventura no BRT terminou, com 1 hora e 50 minutos de viagem, num ponto de ônibus bem improvisado, com várias kombis anunciando para a Ilha, pegando um ônibus intermunicipal para fazer uma viagem de 10 minutos até o Fundão.

Acredito que a linha Semidireto Alvorada x Galeão devesse parar no Fundão, porque, ao que tudo indica, mais da metade dos passageiros que vão para o Galeão, desejam ir para os sub-bairros da Ilha e, no Fundão, há mais opções e não há necessidade de percorrer a distância da Estrada do Galeão até o Aeroporto e voltar em vão. Além disso, acho que deveria parar na Taquara e em Madureira, e muita gente pede isso no facebook do BRT Rio, mas os pedidos da população não são atendidos. É compreensível que se tenha uma linha Vicente x Alvorada direto, pois ela trafega muito cheia nos horários de pico, mas, nos outros horários, e, no horário de pico, em paralelo com esta, a linha poderia parar nas estações citadas. Talvez com a chegada dos biarticulados, essa linha pudesse parar no Fundão, na Taquara e em Madureira, mas, o boato é que irão para a Madureira x Alvorada direto.

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2 thoughts on “Transcarioca – Relato 1

  1. Pingback: Vicente de Carvalho x Alvorada via Jacarepaguá e Madureira | Diário do Transporte Coletivo RJ

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