BRT Transoeste – Relato 3

Já escrevi sobre minha experiência com o BRT Transoeste em dois posts anteriores (Visita a Salvador Allende e a Barra de Guaratiba) e hoje vou descrever mais um pouco do que pude observar.

Cheguei na Alvorada às 13:40 e vi que a roleta mudou de lugar, sendo agora, próxima à passarela. às 13:45 embarquei no Expresso Santa Cruz (da Pégaso), não fiquei em pé, mas o ônibus saiu com pessoas em pé, não muitas.O ar condicionado, naturalmente, não estava dando vazão, apesar de não estar ruim, mas, como o ônibus estava vazio, imagino que a situação piore muito no pico. Em meia hora (14:15) já estávamos na estação Mato Alto, achei até um bom tempo, apesar dos 5 sinais fechados ao longo da Américas (dois consecutivos perto do Info Barra). Não sei se era a estação Magarça ou Pingo d’Água, as portas das estações estavam abertas.

Para minha surpresa, a partir da estação Pingo d’Água, o ônibus não tinha mais pista exclusiva, inserindo-se no trânsito de Santa Cruz. Eu até tinha visto um vídeo no youtube em que dá para notar a falta da faixa exclusiva, mas achei que se tratava da época em que ainda estavam fazendo ajustes. Mas, hoje, mais de um ano e meio depois da inauguração (hoje é Fevereiro de 2014, o BRT foi inaugurado em Junho de 2012), não foi feita pista exclusiva e me impressiona não ter mais acidentes em Santa Cruz. Detalhe que algumas estações são menores, só com duas portas. Não cheguei a pegar o eixo de Campo Grande, mas parece que duas portas é o padrão por lá, isso explica os carros menores na linha Paciência x Salvador Allende.

Cheguei, após mais ou menos 1 hora, na estação terminal Santa Cruz. A princípio pretendia pegar a linha parador Santa Cruz x Vilar Carioca, mas, por ser domingo, pela estação já estar cheia (e ser bem estreita), com muitos camelôs e pelos funcionários estarem nervosos gritando onde era a saída (aparentemente, a saída não estava sendo onde devia ser), desisti da ideia e voltei também de Expresso. A tela informativa dava um BRT sentido Alvorada “aproximando” e o próximo a 30 minutos. É importante que essas telas informem a realidade, nem pra mais nem pra menos. Se informar um intervalo maior que o correto, o passageiro pode se precipitar e tentar outro modal ou fazer outras baldeações pelo próprio BRT. Se informar um menor, fica a impaciência. Também estava presente o Parador, com previsão de 15 minutos, mas, como não vi nenhuma movimentação na parte “Parador” da estação, nem me mexi na fila. Algumas pessoas aleatórias gritavam para os camelôs que não podia, eles pareciam se divertir. Vale notar que a estação estava sem ar condicionado (ou nunca teve) e com as portas todas abertas. Entrei, então no BRT (demorou uns 5 minutos) fazendo um barulho muito alto. Após todos entrarem, o carro parou alguns metros à frente e tinha um passageiro gritando que a porta direita estava aberta (e havia uma senhora, sem nenhum medo, parada no vão dessa porta), que, sem sucesso, tentou fechá-la à força. As portas da esquerda (que realmente dão acesso à estação) foram fechadas à força também (com ajuda de funcionários), mas uma abriu-se sozinha novamente. Alguns desistiram e voltaram para a estação.

O carro partiu e encostou logo em seguida num local onde ficam parados os BRTs, próximo à estação de trem (não existe um terminal de BRT em Santa Cruz, pois é…). Após alguns minutos de barulho alto do motor, todos começaram a descer do ônibus. Eu, sem entender nada, achei que estavam apenas desistindo dele por causa da falta de ar condicionado, mas, quando todos começaram a descer até pela porta esquerda (que tem um vão enorme com relação ao chão, pois não estava na estação), entendi que tinha que ir para outro carro. Todos entramos pela porta da direita e finalmente conseguimos sair. Nas duas estações seguintes, o BRT ficou cheio já com certo desconforto e o ar no mesmo estilo do primeiro BRT: melhor que o segundo, mas já beirando o desconfortável quente.

Após a estação Pingo d’água, um motorista no outro sentido chamou a atenção do motorista e falou pra ele sair da pista exclusiva. O motivo: acidente mais à frente. Dois carros de passeio, uma moto, um corpo na pista do BRT e um ônibus do BRT parados e sim, o nosso BRT saiu da pista exclusiva passando por cima daquelas divisórias altas e teve que parar na direita para que os passageiros do outro ônibus pudessem fazer a troca pela porta da direita, que tem escada (já pensou se tem cadeirante!), já que a esquerda ia ter o desnível. E aí sim, o BRT ficou lotado, quente e começaram a tocar funk alto. Só chegando à próxima estação que o BRT voltou pra pista exclusiva, se não me engano, Magarça, com um buraco enorme na saída da estação.

brt_real

Em resumo, os erros de hoje foram falta de manutenção preventiva (carro novo quebrado?), ineficiência do ar condicionado, falta de informação (quem leu os posts antigos, sabe que isso não muda), operação sem margens (em condições normais já estava beirando o desconforto, basta qualquer evento que o caos se apresenta) e imprudência no trânsito (é um fator externo, mas que reforça a necessidade de mais educação no trânsito ou um pinel pra todos esses motoristas/motociclistas que tocam o rebu no trânsito, mas também revela a fragilidade do BRT com relação a fatores externos, coisas que os trilhos não sentiriam, aliás, não sei como seria se tivesse um corpo nos trilhos do bonde). E fica a lição, quando falarem que o BRT tem sei lá quantos quilômetros de pista exclusiva, não é da Barra até Santa Cruz, mas só até Pedra de Guaratiba. E a preciosa “pontualidade” do serviço vai pro espaço quando tá inserido no trânsito.

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One thought on “BRT Transoeste – Relato 3

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