BRT Transoeste – Relato 1

Peguei o BRT Expresso aproximadamente 13:30 da Alvorada até a Estação Salvador Allende (só andei 1 estação do serviço expresso) e vi claramente a necessidade de reforço nesse eixo. Sendo um horário fora do pico, me impressionei com a fila, mas acabei indo em pé, mas sem aperto, apesar de o ônibus demorar um pouco (uns 10 minutos) para sair do terminal. A viagem foi tranquila, com apenas um sinal vermelho, o que está razoável, lembrando que a sincronia é apenas com o serviço expresso, e não com o parador. Ao chegar na estação Allende, onde desci, encontrei uma estação muito cheia e, frisando novamente, era horário fora do pico. Esperei o parador para voltar e a televisão que informa os horários me desanimou: uma espera estimada em 15 minutos. No sentido Santa Cruz, vi pelo menos outros 3 expressos e 3 paradores, um deles que encheu muito. Já o Parador no sentido Alvorada, demorei lá 20 minutos.

Segundo o secretário de Transportes (aos 4:22 desse vídeo), haverá aumento da frota do BRT, onde novos carros terão capacidade maior. Entretanto, obras de adaptação a estes carros novos terão de ser feitas (conforme post anterior) e não me parece um problema de falta de carros, já que deixei o terminal Alvorada com muitos BRTs parados. Me parece mais uma das táticas sujas tradicionais nos ônibus cariocas: a de manter o limite de operação. Com a tática doentia de manter o serviço na margem máxima de lucro (só isso me explica essa necessidade), os ônibus acabam por demorar para quem está no contrafluxo ou fora do horário de pico, e, se fosse para esperar 20 minutos pelo ônibus, é mais fácil continuar no ônibus antigo.

O objetivo do BRT carioca é ser um sistema como o metrô (apesar da menor capacidade), com o custo de implementação bem menor. Não vou entrar aqui no mérito se o BRT é apenas uma forma de fazer obras para maior mobilidade  nas olimpíadas sem perder o poder das empresas de ônibus, vou seguir a filosofia ingênua de que o objetivo realmente é fazer um transporte de massa com menor custo e menos desapropriações. O metrô tem intervalos de 6 minutos (não consegui uma fonte; o mais próximo que consegui foi um trecho na página da MetrôRio falando sobre o histórico do transporte. No G1, fala algo entre 2 e 4 minutos, provavelmente em horário de pico), e estamos falando de elementos caros para a compra pelo operador. Por que, então, o BRT, com uma capacidade menor (140 passageiros contra 1800 do metrô), tem um intervalo ainda maior? Esse tratamento acaba por retroceder um transporte que deveria ser de massa.

É importante lembrar que o serviço Expresso quem, em termos de número, resulta na conta bonita de Santa Cruz à Barra em 60 minutos, mas o Parador não pode ser simplesmente esquecido. Se eu esperei 20 minutos, isso representa 1/3 do total da viagem! Se o futuro é diminuir os ônibus convencionais e centralizar os deslocamentos ao longo do eixo do BRT no próprio BRT, não é admissívei um tempo de espera desses, em nenhuma hora do horário comercial!

Não vou dizer que o BRT é uma falha total, só lamento a ausência de carros biarticulados no Transoeste e em qualquer plano futuro no Rio e estes problemas que apresentei, que devem ser solucionados. O sistema é novo para a cidade e cobrança da imprensa, assim como a resposta das autoridades têm sido frequente. A freqüência de carros deve aumentar (li que é possível até 15 segundos de intervalo!). O conforto realmente aumentou, com o ar condicionado nos carros e estações, mas a superlotação do horário de rush assusta e os intervalos ainda estão deixando a desejar. O pouco contato que tive com as linhas alimentadoras também não foi muito positivo (demora, ausência de piso baixo e veículos velhos). A lotação do horário de pico é um problema difícil, pois requer todo um planejamento dos horários de saída da cidade, mas deveria dar conta, já que, uma vez que vivemos num sistema de entrar às 7 e voltar às 18, a cidade tem que dar vazão nesse horário. Uma medida tomada foi a criação de linhas parciais até o Recreio, que não é solução, mas ajuda.

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2 thoughts on “BRT Transoeste – Relato 1

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